Não, você não está lendo errado. Mas também não estou te aconselhando a infringir lei alguma. Esta metáfora se encaixa muito bem no que vivemos nos últimos meses deste ano completamente fora dos moldes em que estávamos acostumados a viver.


Todo mercado, por natureza, prevê oscilações e instabilidades. Mas sejamos honestos: poucos estavam preparados ou tiveram a capacidade de adaptarem-se com rapidez a esta avalanche de obstáculos trazidos pela pandemia.

E é exatamente neste momento que “homens foram separados dos meninos”, expressão muito utilizada a qual proponho uma nova versão: “profissionais foram separados dos amadores”. Traduza-se: só ficaram de pé os bons, fortes, consistentes e audaciosos.

E é justamente falando de audácia que entramos de fato no tema deste artigo. Quem, em meio a tanta incerteza, ousaria virar a direção em 180 graus e ir na contramão de todo o restante?

O instinto de sobrevivência nos leva a seguir o aparente caminho mais seguro, ou a direção para onde todos estão indo. A sensação de escolher o mesmo caminho de todos é de falso conforto. Não há garantia alguma de que seguir os demais em busca de “refúgio”, vai necessariamente lhe fornecer abrigo. Mas é natural, é instintivo, que num momento adverso, escolha-se o caminho mais “seguro”. Mas será mesmo que há segurança em seguir para a mesma direção de todos os outros?

Em alusão ao que cito neste texto, uso como metáfora um trecho do filme “Impacto Profundo”, de 1998 com direção de Mimi Leder. Um meteoro está prestes a colidir com o planeta Terra. E horas antes do impacto, pessoas em desespero saem de suas casas em busca de abrigo e lotam as estradas, as rotas de fuga, na região aonde prevê-se que o meteoro irá cair. O protagonista Léo Biderman, no entanto, apostou numa saída arriscada, mas inteligente. Com pouco tempo de ação, ele optou por ir ao topo da maior montanha da cidade, na esperança de que o asteroide caísse no oceano, e a água não chegasse até o topo da montanha. Havia uma probabilidade pequena, mas não era impossível.

O resultado de sua escolha foi positivo. O asteroide de fato caiu no oceano, provocando uma enorme onda, que ao encontrar a superfície, inundou grande parte da cidade. Mas não chegou ao topo da montanha aonde Léo havia escolhido como refúgio. Ele sobreviveu, fazendo exatamente o oposto da maioria, indo na contramão, escolhendo o topo de uma montanha.

Esta passagem, ao meu ver, se encaixa perfeitamente no que vemos hoje nas reações do mercado em relação a pandemia. Se considerarmos a doença o meteoro, a grande onda como os reflexos da pandemia, as empresas que decidiram seguir o caminho aparentemente mais seguro, se retraindo, fugindo das ações, e se misturando a todas as outras e ficando presas num enorme engarrafamento, entendemos que quem escolheu o caminho contrário, do risco, da audácia, da contramão, mas sempre rumo ao topo, estão cada vez mais próximas de se manterem vivas e o melhor, ainda mais distantes dos seus concorrentes.

Este exemplo pode se dar à aplicação da estratégia de gestão na Les Cinq Gym, empresa que lidero há quase 4 anos, aonde justamente diante do incerto, do nebuloso, do aparente apocalipse de mercado, escolhemos subir ainda mais seu nível, investindo, apostando, arriscando e escalando rumo ao topo. O resultado é um retorno de alunos superior a 80%, contratos que venceram durante a pandemia sendo renovados mesmo com aumento de 25%, e matrículas sendo realizadas na mesma proporção de antes da pandemia.

Hoje, temos academias com estrutura e renome, afogadas nos resultados de suas próprias escolhas diante dos obstáculos. Na incerteza de que irão sobreviver no meio do engarrafamento, sem saber quando chegarão e se chegarão em algum destino.

Números exemplificam como diferentes decisões refletiram em resultados diretos nas academias neste retorno.

Primeiramente, academias se utilizaram das limitações impostas pelos órgãos reguladores e governamentais, para entregarem menos e pior. Por incrível que pareça, quando teriam a oportunidade de melhorar processos, até pelas necessidades impostas, tendo tempo para aplicação de treinamentos e formulação de ideias novas, não só não inovaram, como reduziram pessoal e deixaram seus serviços mais precários. Dos mais diversos exemplos, desde balde com desinfetante para aluno mergulhar seus pés, à alunos tendo que limpar cada aparelho e espaço que utiliza.

Diversas pesquisas indicam que as academias que abriram sem uma nova proposta, sem se reinventarem ou investirem, tiveram uma média de retorno de até 40% do seu contingente de alunos. Enquanto academias que foram na “contramão” e ousaram inovar, tiveram um percentual de mais de 70% de retorno, além de alto índice de procura por matrícula.

Nem sempre a contenção de despesas é sinônimo de segurança do negócio.

Outro exemplo prático que expõe resultados de escolhas de ambos os lados é o de como resolveram trabalhar a limitação de tempo imposta. Algumas preferiram controlar seus alunos num modelo rudimentar de literalmente pô-los para fora ao término do tempo permitido, como os enxotando mesmo da sala de treinos. Também optaram por agendamento por Whatsapp. Imaginem uma academia com 400 alunos, “os poucos que decidiram retornar aos treinos”, querendo agendar suas aulas por um único número de Whatsapp?

Já as mais planejadas, investiram não só em pessoal para otimizar a higienização dos espaços e aparelhos, mas em tecnologia, com aplicativos de marcação e agendamento, e principalmente, em intensidade de método de treino. Reduzindo as séries e compactando o treinamento em 30 ou no máximo 45 minutos, tendo o aluno, resultado, mesmo dentro de um período reduzido.

Lembre-se que neste cenário que vivemos, até a birosca da esquina está investindo em álcool em gel, EPI para os funcionários e distanciamento social. Sendo assim, as medidas de segurança implantadas na sua empresa não te diferenciam nem mesmo dos mais humildes estabelecimentos comerciais.

Por isso, a liderança inteligente pede escolhas também mais audaciosas com análise precisa de riscos.

luiza-castanho-consultora-de-academiasE por incrível que pareça, às vezes, ir na contramão pode ser o melhor caminho. Desde que à contramão te leve ao topo.

Texto por: Luiza Castanho

Tibério Lemes
Autor

Formado em Marketing pelo Instituto de Educação Superior de Brasília/DF. Certificado em Inbound Marketing pela Resultados Digitais - Florianópolis/SC. Já participou de várias certificações e imersões em Marketing Digital. Foi Diretor de Criação e Planejamento da Holus Marketing, agência de marketing especialista no mercado fitness por 4 anos, atendendo grandes redes de academia como a Alta Energia (MG) e a Corpo e Saúde(DF). Founder da Escola Marketing de Academia e sócio da Pacto Soluções, onde atua como CMO (Chief Marketing Officer - Diretor de Marketing).

Opine e enriqueça o debate

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.